O sono é essencial para a recuperação física e mental do indivíduo. É, de tal forma importante que passamos um terço da nossa vida a dormir. No entanto, no último século as rotinas diárias têm contribuído para a redução da duração do sono em cerca de duas horas.
Esta redução da quantidade e qualidade do sono, sobretudo nos países mais desenvolvidos, tem levado a um consumo excessivo dos chamados “medicamentos para dormir”.
Afinal, o que é uma insónia?
A insónia é o distúrbio do sono mais frequente, afetando 28% da população portuguesa com mais de 18 anos e 50% da população com mais de 65 anos. Corresponde a um sono de qualidade reduzida associado a problemas no funcionamento laboral e social. Pode potenciar o surgimento de doenças cardiovasculares, doenças psiquiátricas, de Diabetes, bem como o aumento do risco de acidentes e de faltas ao trabalho.
A ansiedade e depressão são as principais causas de insónia, seguindo-se a dor mal controlada e o abuso de substâncias. No entanto, referir que em cerca de 15% dos casos não é possível determinar a causa deste distúrbio do sono. Para além disso, a idade, uma carência de relacionamentos sociais, o baixo nível socioeconómico, o desemprego, a separação, o trabalho por turnos são alguns dos fatores de risco mais frequentemente associados à insónia.
É uma patologia que se manifesta de forma muito diversificada, desde a dificuldade em adormecer, despertares frequentes ou acordar antes do tempo, mas também por alterações na qualidade do sono que se traduzem em pesadelos, sonolência diurna, dificuldade de concentração, falta de energia, fadiga, irritabilidade e problemas de memória.
Existe tratamento?
O tratamento desta patologia deve ter por base um tratamento não-farmacológico, o mais eficaz a longo prazo, uma vez que são adotados alguns hábitos com o intuito de promover a qualidade do sono. Assim sendo, devem ser evitados comportamentos como beber café, comer chocolate, consumir tabaco ou bebidas açucaradas cerca de 8 horas antes de dormir. A atividade física ou refeições muito pesadas antes deste período podem de igual forma prejudicar o sono. Por outro lado, um quarto com ambiente confortável (silencioso e com iluminação de cor amarelada), a leitura de um livro, ouvir música ou tomar um banho de água quente antes de dormir são condições/hábitos que, pelo relaxamento produzido, podem facilitar o sono. Importante, ainda, que o tempo que se permanece na cama seja praticamente igual ao tempo de sono, ou seja, não há qualquer utilidade em “forçar o sono”.
Acima de tudo, é essencial criar uma rotina, ou seja, acordar e ir dormir todos os dias às mesmas horas. No entanto, perante situações de maior gravidade, torna-se necessário recorrer a tratamento farmacológico para um controlo mais célere da insónia.
Autor
Dr. João Pedro Augusto, OM 74513